Março 1969
Quarta zona aérea
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Imenso é o noticiário da imprensa mundial sôbre o aparecimento do fenômeno conhecido como "discos voadores", que passaremos a denominar de OANI (Objetos Aéreos Não-Identificados).
A partir de 1947, em ondas sucessivas, as notícias se projetam nas páginas dos jornais, a povoar a imaginação dos sonhadores, a fortalecer os argumentos filosóficos dos místicos, a aguçar a curiosidade do homem quotidiano, a ferir o ceticismo dos cientistas, a desafiar a inteligência humana para equacionamento de um problema cujos valôres parecem extrapolar o quadro dimensional do mundo em que vivemos.
Vasta é a bibliografia sôbre o assunto, cujo aspecto sedutor parece atrair tôda a gama de habilidade de nossa potencialidade imaginativa. O material aí está, a desafiar, em suas páginas, a argúcia dos que, no silêncio de suas bibliotecas, buscam a resposta de suas interrogações.
O cabotinismo, o "vedetismo", a farsa e a mistificação encontram terreno fértil para medrar.
A Imprensa aproveita o fenômeno para dar vazão à sua veia sensacionalista aumenta a confusão em torno do assunto e, quase sempre, dificulta a pesquisa séria, por veicular histórias fantasmagóricas que afastam a testemunha, preciosa por vêzes, temerosa das conseqüências do sensacionalismo noseusossêgo e na sua tranqüilidade.
Alguns casos, apresentados como "classicos", pelos escritores especializados no assunto e estudiosos do fenômeno, constituem-se em verdadeiros marcos na história dos OANI's. Em sua quase totalidade acontecidos nos EE.UU., tais casos não tiveram até hoje, ao que se saiba, qualquer comprovação cientifica.
Apesar dos aspectos negativos do noticiário, as ondas de aparecimentos continuaram, fato que deve ter dado origem à inúmeras organizações dedicadas ao estudo do fenômeno. Em grande parte, tais organizações estruturam suas teses em bases místicas ou religiosas.
Alguns cientistas pontilharam, durante êstes vinte anos, o histórico dos OANI. Não raro algumas das organizações possuiam fundamentos científicos ou pelo menos se apresentavam como possuidores de tais características.
Não é nossa intenção reviver aqui a história dos OANI's e repisar os casos apresentados como sensacionais.
Há, contudo, um aspecto interessante que ficou de todo o quadro fenomênico dêstes últimos vinte anos. Nos EE.UU. principalmente, a Fôrça Aérea foi acusada de reter as observações e mesmo impedir que elas prosseguissem param um esclarecimento total ou parcial. Escritores e jornalistas enfatizaram a preocupação das Fôrças Armadas de tratar o assunto como "Top Secret", interessando diretamente à Segurança Nacional, acusando as de diluir as notícias a-fim-de-que o assunto perdesse o interesse público.
É fácil, compilando as inúmeras obras sôbre o assunto, mesmo as nacionais, encontrar essas acusações, por vezes verdadeiros libelos contra a maneira de agir das Fôrças Armadas em relação ao fenômeno. É a Fôrça Aérea Americana foi a maior vítima da exaltação acusatória.
No Brasil houve também essa tendência e, em certa época, atribuía-se à FAB um impressionante "dossier", produto de acurado estudo sôbre o assunto. Entretanto nada disso houve. Apenas um ou outro apaixonado platônico sem qualquer organização ou qualquer elemento dedicado ao estudo científico do assuto.
Há pouco tempo conhecemos um trabalho de compilação da Fôrça Aérea Americana - uma publicação que reunia 5 milhões de notícias sôbre a ocorrência do fenômeno, no mundo, nestes últimos anos.
Êsses dados porém, apesar de não possuírem nenhuma fundamentação científica, pois são apenas notícias sôbre o fenômeno ou pretensas aparições de OANI, servem para admitir-se a existência de alguma cousa que deve ser pesquisada, que deve ser científicamente investigada. É isto a que se propôs a IV Zona Aérea.
O mundo científico recusou-se categóricamente a tomar conhecimento do assunto. Para os cientistas em geral, o fenômeno não passava de alterações fisiológicas, psicológicas ou psíquicas dos observadores ; quando muito admitiam, por vêzes, a ocorrência de fenômenos meteorológicos ou atmosféricos.
A Ciência não julgava azado ainda o momento para cuidar do fenômeno, ou melhor, ela se recusava a catalogar como tal o fenômeno dos Objetos Aéreos Não-Identificados.
A ocorrência, porém, de alguns fatos sensacionais nos EE.UU. e o impacto de verdadeiras ondas de notícias, tanto na América do Norte quanto na Europa, começaram a atrair a astenção de alguns elementos do mundo científico.
Receiosos, contudo, de um possível ridículo e temerosos das conseqüências do sensacionalismo desenfreado da imprensa, os cientistas, só com muita cautela e excessiva discrição, ousaram lançar suas vistas à fenômenologia OANI.
E assim, lentamente, da frieza do mundo científico, começou a emergir pequena parcela que, pouco a pouco, foi tomando a característica de groupe aglutinado em tôrno de um pensamento : o fenômeno já se define e merece ser estudado.
Alguns cientistas mais afoitos começaram a pontilhar nas notícias e nos debates sôbre o assunto, mas a maioria conservou-se no anonimato, a estudar no silêncio de seus laboratorios a sedutora fenômenologia OANI.
Várias teorias, inúmeras teses, diversas hipóteses, numerosas doutrinas se construíram para abrigar o fenômeno.
Oficialmente, porém, a ciência ainda não se dignou a tratar do assunto OANI, e os cientistas de responsabilide, que estudam o fenômeno, fazem-no com a mais absoluta discrição.
O que resta aqui, fora do mundo científico, no mundo profano, a agitar-se na fenômenologia dos OANI's, é um amontoado de controvérsias, onde o feitiço, a ignorância, a farsa, o "vedetismo" misturam-se com a vontade de saber, de evoluir, de desvendar, com as interrogações e perquirições filosóficas, com a coisa séria e bem intencionada.
Mais, em meio a êsse universo de controvérsias, a êsse aparente mundo caótico, em que pese o lado negativo de suas exteriozações, temos certeza da que há um fenômeno que deve ser estudado, que deve ser levado a sério, que deve ser tratado com austeridade.
A êsse fenômeno é que a Fôrça Aérea Brasiliera resolveu dedicar parte de sua atenção, de sua capacidade, de suas puras e honestas intenções.
O Brasil também não escapou à onda de notícias sôbre o aparecimento de OANI. Como nas demais partes do mundo, até contactos directos com tripulantes e mesmo viagens interplanetarias foram anunciadas com o sensacionalismo de sempre. Fotografias foram tiradas, quase em "close-up", e comercializadas em mercado estrangeiro.
Assim, não fugindo às normas de aparecimentos em ondas registradas pelos estudiosos do assunto como resultado - de suas observações, os OANI's, de tempos en tempos, fizeram-se presentes nos noticiários da imprensa.
Entretanto, ao que se saiba, nenhum dos fatos assinalados teve até agora a confirmação da ciência.
Inúmeras são as obras escritas por estudiosos e curiosos brasileiros e varias são as estrangeiras traduzidas - para o nosso idioma.
Tôdas fazem referências quase que aos mesmos fatos e procuram explicar o fenômeno mais de acôrdo com suas convicções do que como resultado de uma pesquisa com bases cientificas.
Acreditamos na sinceridade e honestidade de muitos e dos nossos patricios que procuravam, con pertinacea, a explicação sôbre o fenômeno, apesar dos parcos meios de que dispunham.
Mas os aventureiros, os espertos, os farsantes, os sensacionalistas, etc., como sempre contribuiram para desacreditar a fenômenologia, afastando, com isso, a maioria dos bem intencionados ou obrigando-os a se refugiarem no silêncio ou no anonimato.
As notícias diminuiram de intensidade até que, a partir de agôsto de 1968, voltaram ao conhecimento público, num crescendo que vem abalando até os mais céticos.
São Paulo parece ter sido escolhido para o palco principal dos acontecimentos, Raro tem sido o dia em que a imprensa não divulga a noticia de um OANI neste Estado.
Em sua quase totalidade, as aparições têm sido anunciadas sôbre regiões de pouca densidade demográfica e seus observadores, em grande maioria, são pessoas simples, de pouca instrução. Os contatos, que se propalaram, foram com criaturas de baixo nível cultural.
E bem possível que os homens de certa instrução, ou nível social, evitem a divulgação de qualquer ocorrência, com o natural receio de serem tomados como loucos, farsantes ou mentirosos.
Mas, o que se tem anunciado, principalmente os fatos mais sensacionais, parecem ocorrer com criaturas de modesto nível cultural e em lugares ermos, pouco habitados.
Desde que estamos no problema, verificamos essa peculiaridade ; contudo, à propoção que o público toma conhecimento da atuação da FAB, é óbvio, algumas pessoas de nível mais elevado nos têm procurado, sigilosamente, para trazer notícias sôbre o assunto. Porém, permanece ainda a grande maioria enquadrada na peculiaride já referida.
E evidente que a onda de notícias sôbre o aparecimento de OANI no Estado da São Paulo tem aumentado gradativamente ; êsse fato chamou a atenção da FAB e em particular da IV Zona Aérea.
Resolvemos, então, criar um Sistema de Investigação que nos orientasse normativa e cientificamente na pesquisa do fenômeno, objetivando sua definitiva explicação ; suas - peculiaridades ditaram os principios da organização e de seu functionamento.
Entendemos que o fator mais importante do problema, em face daquelas caracteristicas, seja o osbervador do fenômeno, aquêle ou aquêles que dizem ter tomado contato com o OANI ; essa importância é diretamente proporcional à intimidade da anunciada observação.
Quem declara, por exemplo, um contato com tripulantes do OANI, valoriza mais seu depoimento, comparativemente àquele que nos diz ter visto apenas seu sôbrevôo. Muito maior valor havera, é obvio, se o observador declara ter viajado no OANI.
Assim, para o respectivo estudo, a aceitação do fato observado dependera do grau de credibilidade do observador que deve ser nossa principal preocupação, pos ela farnos-a chegar ao fenômeno.
Dado o sensacionalismo que têm provocado as notícias de contatos e conseuqnete envolvimento do observador pela curiosidade publica, é natural que nosso interêsse seja chegar imediatamente ao local da ocorrência. Para que isso ocorra é necessario que o comunicado e nossa presença sejam rapidos.
Três são, pois, os fatôres que nos possibilitam-contornor êsse envolvimento :
Isto nos obriga a possuir uma rêde de observadores, um sistema da comunicações, de transporte e uma organização téchnico-cientifica capaz de examinar e avaliar o grau de confiabilidade no observador e no fenômeno.
Ora, a FAB ja possui respectivamente a rêde, o sistema e a organização. Bastara, pois, superpôr o sistema proposto ao ja existente na FAB para que entre em funcionamento, desde que a idéia da IV Zona Aérea sôbre o assunto seja divulgada aos diversos orgãos, bem como processos, normas e regulamentos transmitidos em tempo util.
Para o estudo do fenômeno em si, necessitamos de laboratorios, cientistas, aparelhagem adequada e equipamentos apropriados.
Não pretendemos, contudo, circumscrever a observação, a pesquisa, a investigação e o estudo apenas nos limites da FAB.
E nossa idéia, e isto ja vem acontencendo com explêndidos resultados, levar tal interêsse às demais Fôrças Armadas e ao meio civil.
Algumas organizações civis idôneas ja estão em contato conosco, aguardando apenas nossa orientação para se integrarem no Sistema.
A juventude sera mobilizada em tõrno dêsse assunto, que podera dar origem a uma verbadera Cruzada. Universita rios e colegiais, com quem estabelecemos contato, sentiram a responsabilidade com que estamos tratando o assunto e se entusiasmaram com a ideia de integração no Sistema.
E nosso pensamento recrutar os observadores e mesmo pesquisadores no meio estudantil, aproveitando preferencialmente organizações ja existentes.
Vale lembrar que ja começamos a agir e otimos estão sendo os resultados.
Despertaremos, assim, a mocidade para o interêsse no estudo da astronomia, da astronautica, do mundo que aí está nas palpitantes viagens cosmicas, mundo que para se entregas exige intrução, cultura, seriedade, trabalho, ordem e disciplina ; mundo que ja e o mundo de hoje para as nações adiantadas e que sera o mundo do "nunca mais" para nos, se não apressarmos o nosso passo, se não arregaçarmos as nossas mangas e não nos atirarmos ao trabalho e ao estudo ; mundo da ciência, da tecnologia e da cibernética. Mundo do Terceiro milênio que aguarda também a nossa participação,desde que nos coloquemos em condições de presta-la.
Ja estamos recebendo alguns telescopios que vao ser encaminhados a grupos de jovens interessados nos estudos - da astronomia.
Assim, ao criar e ativar o nosso "Sistema de Investigação de Objetos Aéreos Não-Identificados", o SIOANI, estaremos também mobilizando a nossa juventude para o interêsse, o estudo e o trabalho de conquista dêsse mundo maravilhoso que so os Homens poderão possuir, restando aos demais, apenas tomar dêle conhecimento por "Ouvir Dizer".
É essa nossa idéia, nossa doutrina, o nosso escôpo, a nossa intenção, a nossa diretiva.
E êsse o objetivo de nosso trabalho.
Haveremos de alcança-lo.
O Sistema de Investigação de Objetos Aéreos Não-Identificados (SIOANI) compor-se-a essencialmente de :
O SIOANI fara circular periodicamente um boletim entre os orgãos, instituições e pessoas pertencentes aos seus quadros.
Esse Boletim somente tratara de assuntos relativos ao OANI tais como : relação dos NIOANI's, dos pesquisadores, investigadores, vigilantes e orientações, normas, procedimentos, andamento das investigações e pesquisas, resultados, computações, etc.
O sensacionalismo, o "vedetismo" em tôrno do assunto e do Sistema não serão em hipotese alguna permitidos, incorrendo em expulsão imediata dos quadros a organização ou individuo que contrariar está orientação.
As conclusões ou resultados e comentarios sôbre investigações ou pesquisas somente poderão vir a público por intermédio da Chefia do CIOANI.
Os orgãos de difusão, devidamente credenciados, poderão ter acesso ao conhecimento do trabalho, recebendo material selecionado apra o cumprimento de sua missão, pois é de interêsse do Sistema que o público seja permanentemente bem informado.
Entendemos que o assunto é sério e com seriedade sera tratado. Qualquer intromissão indébita em area de trabalho do SIOANI, em seus assuntos ou deformação de noticiáriosera enérgicamente reprimida e responsabilizados seus autores.
As pessoas ou organizações, que desejarem entrar em contato com a CIOANI, deverão dirigir-se diretamente parao seguinte enderêço :
QG-4 - CIOANI
Praça Prof Oswaldo de Vincenzo, 200
Cambuci - Sao Paulo
Estado
de São Paulo - Brasil
Ao :
Qual a natureza dos fenômenos que têm sido observados nas mais variadas partes do Globo Terrestre ? Seriam psicologicos, meteorologicos, astronomicos ? E nosso dever investigar-lhes as origens.
Sem sombra de duvidas, somos de parecer que os respondaveis pelas organizações técnicias e culturais não devem, não podem omitir-se, fechando os olhos para êste problema - o do OANI - que dia a dia se torna crescente.
Observações idôneas, relativas às incidências dêsse fenômeno, mostram-nos que sua frequência e disseminação, em diversos paises, têm crescido consideravelmente.
O grupo de homens de ciência, dedicados ao estudo dos OANI's, tem-se enriquecido com nomes de alta categoria profissional, fato que sugere a necessidade de um estudo científico ; muitas ocorrências têm sido reportadas por pessoas idôneas, sendo nosso dever dedicar atenção ao fenômeno.
Sabemos que, em muitos casos, as pessoas que nos informam sôbre tais ocorrências podem estar influenciadas por "imaginação" ; mas, ainda assim, cremos que a ocorrência deva ser investigada. Ha um fato, um novo fato, um fato gerador que necessita ser explicado convenientemente.
É preciso realizar-se uma investigação metodica, cientifica.
Não devemos partir da premissa de existência objetiva do OANI. Nem podemos ser céticos. Qualquer dêsses extremos define posição não-cientifica.
Admitir a "possibilidade" de existência do OANI é atitude cientifica que justifica sua pesquisa. Penetrar no âmago do fenômeno, investigando-o os aspectos psiquiatricos, psicologicos, sociologicos, astronomicos, meteorologicos, juridicos etc., constitui uma necessidade.
Eis aí a posição em que se coloca o Ministério da Aeronautica, através do Comando da Quarta Zona Aérea, onde foi organizada a Central de Investigação de Objetos Aéreos Não Identificados (CIOANI).
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